Votar? Em quem? Por quê?


8 de setembro de 2018

De 2 em 2 anos temos eleições no país e, mesmo assim, continuamos com altos índices de desemprego, baixos salários, muita dificuldade em conseguir moradia própria, além de Educação e saúde públicas cada vez piores!

Notamos assim que as eleições existem exatamente para as coisas continuarem como estão e para criar ilusões de que elegendo supostos “representantes do povo” as coisas podem mudar.

Como a lógica do Estado é administrar as desigualdades e gerir os negócios da burguesia, a maioria dos eleitos é parceira de empresários e latifundiários e só aprova projetos desses interesses.
Mesmo assim, no período eleitoral, as pessoas discutem mais sobre política e como, na maioria das vezes, os debates se limitam aos partidos da ordem é um momento importante para buscar apresentar ideias socialistas e alternativas revolucionárias para a conquista da consciência de classe trabalhadora.

Portanto, a participação de partidos e organizações de esquerda não pode ser para consertar o sistema político, tem que ser para denunciar a miséria capitalista e a necessidade urgente de uma sociedade justa.

No entanto, sabemos das pressões resultantes dessa participação, pois sempre há o risco de adaptação às eleições que, ao invés de contribuir com o avanço da consciência de classe e de organização, contribui com as ilusões em supostas soluções via Parlamento.
De fato, essa questão não é algo fácil de resolver e para refletirmos coletivamente apresentamos esse texto.

Para quem é essa democracia?

No Brasil, 1% das pessoas mais ricas têm 28% de toda riqueza. São principalmente empresários, banqueiros, juízes, grandes comerciantes, diretores e gerentes de grandes empresas.
A desigualdade é tão grande que apenas 5 pessoas têm a mesma riqueza de mais de 100 milhões. Nenhuma dessas pessoas trabalha duro, depende de transporte coletivo, têm filhos em escolas públicas ou usa saúde pública. São privilegiados. Isso é assim porque controlam os meios de produção e ficam com a riqueza produzida pela classe trabalhadora.

Esses ricos que controlam o poder econômico também controlarem o poder político – do Congresso Nacional, o Judiciário, várias outras instituições do Estado e instrumentos ideológicos como igrejas, meios de comunicação, escolas etc. – diretamente ou com o financiamento de políticos.
Por isso, dizemos que essa democracia é dos ricos e para os ricos, ou seja, somente para uma pequena parcela da sociedade. Existe para servi-los: leis, decisões no Judiciário e polícia só beneficiam os proprietários. Aos pobres é reservado repressão, perseguição, controle de nossas vidas e exploração de nosso tempo e trabalho.

Quem decide?

Já parou para pensar que tudo em nossa volta não é decidido por nós trabalhadores? Leis, linhas de ônibus, onde ter escola ou hospital (quando tem), serviço militar, etc. Enfim, não decidimos sobre nada disso e muito mais.

Quem decide sobre nossas vidas são esses poucos proprietários e esses governos de forma “legalizada”, por “debaixo dos panos”, com o dinheiro público e de corrupção.

Como ter democracia de fato numa sociedade tão desigual em que poucos decidem e usufruem? Impossível. Por isso, as ações governamentais são para beneficiar as pessoas ricas.

Na prática fazem de tudo para não decidirmos nada. E é por uma razão: se a classe trabalhadora decidisse certamente não haveriam pessoas sem moradia, sem emprego, não teria fome, as escolas seriam espaços de aprendizado e formação humana, isto é, não estaríamos nessa barbárie que vivemos.

Por qual democracia lutamos?

Somente poderemos falar em democracia de fato quando a classe trabalhadora assumir o poder, pôr fim nas classes sociais com uma produção voltada para a necessidade da maioria das pessoas e não de um punhado de proprietários.

Somente assim a classe trabalhadora poderá decidir desde as necessidades de seu bairro como escolas, hospitais e espaços públicos até as grandes questões do país como produção de alimentos, meios de mobilidade, preservação ambiental, formas de solidariedade com outros povos, etc.
Enfim, tudo será decidido por quem produz a riqueza do país, que a maioria. Assim se dará a democracia operária, sem desigualdade econômica e sem divisão entre quem decide e quem obedece.

Essa forma de poder político não surge por milagre, precisa ser construída nas lutas e nas organizações da classe trabalhadora. O funcionamento das entidades de trabalhadores, dos movimentos popular e estudantil são espaços para esse aprendizado.

Por isso, a participação de jovens e trabalhadores nas lutas e nas entidades de luta são necessárias como formas de educação política para a construção desse poder e para (re)apropriar as entidades e colocá-las a serviço da luta da classe trabalhadora.

Não votamos em candidatos de partidos burgueses

Essa é a eleição mais polarizada dos últimos anos e as vagas para o segundo turno serão decididas na reta final. Dos 13 candidatos à Presidência da República, 11 são de partidos do campo burguês. Disputam entre si não por terem projetos políticos diferentes, mas apenas por disputas de interesses pessoais ou de seus grupos políticos, pois todos propõem atacar os nossos direitos.
Por isso, inclusive, denunciamos todas essas candidaturas e suas propostas, pois se forem eleitas vão aplicar a Reforma da Previdência que nos fará trabalhar até morrer, a Reforma Tributária para pagarmos ainda mais impostos enquanto livram os ricos e vários outros ataques aos nossos direitos e condições de vida.

Portanto, votar em candidatos de partidos burgueses é fortalecer esses ataques contra a classe trabalhadora.

Não votamos em

Bolsonaro (PSL): Vota a favor de todos os projetos que retiram direitos como a Reforma Trabalhista e Lei Terceirização, etc. Defende a ditadura e torturadores; apresenta posições machistas (reverencia o estupro), racistas e homofóbicas. Protege o agronegócio e é contra a demarcação de terras indígenas e quilombolas. É apoiado por setor de direita e vários militares golpistas.
Marina (Rede): Tem projeto de governo liberal conservador. Defende a continuidade do pagamento da dívida pública, o que mantém o Estado nas mãos dos banqueiros e agiotas.
Alckmin (PSDB): Coligado com o Centrão (vota em troca de cargos e favores) é o candidato de banqueiros e empresários. Defendeu e pressionou deputados a votarem a favor de medidas contra os direitos dos trabalhadores. Em São Paulo destruiu as escolas e entrega Educação pública para a iniciativa privada, reprimiu de forma brutal manifestações de professores, da juventude e de movimentos sociais. Defende o fim da universidade pública com a cobrança dos cursos de pós-graduação e outros níveis. Protegido pelo Judiciário e pelo Ministério Público, é acusado de participar de vários esquemas de corrupção como Metrô e merenda escolar.

Meirelles (MDB): Candidato ideal dos banqueiros. Defensor mais duro do Estado mínimo para a classe trabalhadora, programas sociais mínimos com dinheiro público para financiamento da dívida pública e investimentos de interesse dos empresários.

Ciro Gomes (PDT): Faz muito esforço para adotar discurso de esquerda e se diz defensor do povo, mas está longe de ser de esquerda. Faz críticas aos banqueiros por suas altas taxas de juros (as maiores do mundo) e até a alguns pontos da Reforma Trabalhista. Mas não nos engana: Primeiro, porque defende apenas taxas de juros menores, não é contra o poder do sistema financeiro e sequer defende o seu controle pelo Estado. Segundo, estar contra alguns pontos dessa reforma trabalhista não faz ninguém de esquerda, afinal essa Reforma é tão absurda que praticamente coloca a classe trabalhadora brasileira em situação de semiescravidão.

Há outras questões, pois sua história também revela suas ideias: fez parte do governo FHC e do governo Lula e em nenhum momento se colocou contra os projetos desses governos; tem ligações históricas com o coronelismo no nordeste; sua vice (Katia Abreu – PDT) é conhecida como a rainha da motosserra por defender o desmatamento para ampliar a produção do agronegócio.

Lula/Haddad/Manuela: Depois do impeachment, o PT diz ser a “voz da esquerda” na tentativa de atrair quem sonha com um mundo melhor. Mas, há muitos anos o PT e o PCdoB não são de esquerda. Estiveram 14 anos no governo, de 2003 até 2016 (ano do impeachment de Dilma) fazendo acordos com MDB, PTB, PDT, “centrão”, PSDB e outros partidos burgueses para garantir apoio parlamentar. Com esses apoios e por esses apoios fez votar vários ataques aos nossos direitos.
Banqueiros, empresários e patrões do agronegócio lucraram como nunca! Aos pobres, os programas sociais, como o Bolsa Família, foram míseros 0,5% (meio por cento!) do PIB, o que não resolveu o problema da fome e da pobreza no país. Houve um aumento da dívida pública e a negativa até mesmo de realizar a auditoria, o salário-mínimo jamais se aproximou do reivindicado salário mínimo do DIEESE. Não houve reajuste da tabela do IR, penalizando os pobres.

Durante todos esses anos, pudemos dizer que não houve nenhuma ampliação de direitos, pelo contrário, perdemos vários. Na Previdência, por exemplo, tivemos duas reformas. Com algumas nuances, foi um governo neoliberal, mantendo o mesmo projeto econômico de FHC e do PSDB.

A relação com imperialismo também foi de total submissão e seguiu com os desmandos e o envio de tropas ao Haiti, servindo de ajudante do governo estadunidense.

Essas são algumas demonstrações do papel das candidaturas do PT e do PCdoB em favor do capital, ou seja, não são de esquerda e não defendem a classe trabalhadora, pois buscam conciliar os interesses dos patrões e proprietários com os interesses da classe trabalhadora, algo impossível, principalmente em momento de crise quando os ricos querem tirar nossos poucos direitos.

Contra a direita e os ataques aos nossos direitos, voto crítico nas candidaturas da esquerda socialista

A classe trabalhadora tem sofrido todas as consequências da crise capitalista com altas taxas de desemprego, diversos ataques aos direitos sociais e o avanço de setores da direita. E se depender da burguesia e de seus candidatos as coisas ficarão piores para a classe trabalhadora.

Nessas eleições também estará em jogo a luta contra as reformas, pois os candidatos dos partidos burgueses irão jogar muitos dados mentirosos para justificá-las. Entre um e outro candidato a diferença é apenas o ritmo para aplicação dessas reformas. Todos são favoráveis e vão vir com bláblá de que as reformas vão fazer o país “andar para frente”, enfim, vão usar essa campanha para chantagear a classe trabalhadora.

Por isso, é fundamental a denúncia e a derrota desses diversos projetos burgueses. Que a burguesia pague pela crise que criou!

Nesse sentido, o Espaço Socialista e o Movimento de Organização Socialista fazem chamado de voto crítico em candidaturas da esquerda socialista (PSTU, PSOL, PCB) que se opõem à reforma da previdência e à reforma trabalhista como forma de fortalecer a luta contra os ataques da burguesia e pela unidade da esquerda socialista.

O chamado a esse voto crítico é uma forma de contribuir com o avanço da consciência de classe trabalhadora, unificar a esquerda e avançar para derrotar as propostas da burguesia.

Na campanha eleitoral, organizar a luta contra as reformas!

Pelos planos de Temer e da burguesia a Reforma da Previdência já estaria implementada junto com outras medidas. Mas, com as lutas do ano passado, tiveram que recuar. Foi uma conquista importante, mas ainda derrotamos as reformas. A luta está em aberto.

A principal tarefa dos revolucionários nesse processo eleitoral é construir e preparar a luta real contra a Reforma da Previdência e demais ataques.

Por isso, exigimos das candidaturas de Boulos e de Vera que use todos os espaços legais da campanha para chamar a classe trabalhadora a só confiar em suas próprias forças e a começar, desde já, a se organizar contra as reformas e os ataques. E não somente prometam revogar as medidas de Temer e não implementar as reformas pois essas promessas são de pouca serventia, afinal, como sabemos, não serão eleitos.

Portanto, deve ser uma campanha para organizar as lutas e não de promessas. Isso os demais candidatos já fazem demais.

Guilherme Boulos precisa romper com o petismo

Desde que o PT se debandou de vez para os braços da burguesia, Boulos, líder nacional do MTST, um movimento social que travou importantes lutas nos últimos anos, é o candidato lançado pela esquerda socialista com maior visibilidade. Tem reunido milhares de pessoas e está se saindo muito bem nos debates eleitorais, ocupando um espaço deixado pelo PT. Tudo aponta que ajudará o Psol a aumentar suas bancadas de parlamentares pelo país afora.

Seu programa de governo defende programas sociais, consulta à população por plebiscito, investimento na educação, democratização das forças armadas, entre outros pontos. Segundo ele, o dinheiro viria, sobretudo, através do aumento de impostos dos ricos. Não é um programa socialista. Pelo contrário, muitos países capitalistas já aplicaram esse programa sem resolver os problemas históricos da classe trabalhadora. Mas, sem dúvida, devido ao caráter dependente do nosso país, é um programa bastante progressivo que, se apoiado pelas massas mobilizadas, ajudaria a classe trabalhadora a elevar o seu nível de consciência e organização.

O grande problema é esse: infelizmente, a candidatura do Boulos não pretende mobilizar a classe trabalhadora até as últimas consequências, pois tem um programa de governo, de gerência do Estado. Para se ter ideia, a frase mais usada por Boulos é “…nós vamos fazer…”. Nenhum momento faz referência a luta da classe trabalhadora para garantir suas reinvindicações.

Num hipotético governo Boulos, a governabilidade seguiria a lógica atual. Só mudaria as pessoas, mas não seria o conjunto da classe trabalhadora decidindo sobre si mesma. Ele também não se compromete com a defesa de um projeto socialista para o Brasil, tal como o petismo.

Boulos, se quer se tornar uma alternativa para a classe trabalhadora, precisa romper e superar o petismo, com essa ideia de ser possível acabar com as desigualdades e com a miséria que vive a classe trabalhadora através do gerenciamento do Estado burguês.
Isso já se provou impossível. Sem enfrentar a burguesia não chegaremos a lugar nenhum.

A experiência com o PT deve ficar no passado. É preciso pensar na construção de algo novo, por fora da institucionalidade e da ordem capitalista, ou seja, por fora e para além do petismo.

Vera Lúcia e o isolacionismo do PSTU

Dentre todas as candidaturas nessas eleições, a do PSTU é a única que apresenta um programa mais alinhado com as propostas revolucionárias denunciando o capitalismo e suas mazelas e fazendo a propaganda do socialismo.

É bastante progressiva essa política, contudo, há outras questões que impossibilita um apoio sem crítica ao PSTU. Apontamos algumas: ter recusado construir a unidade da esquerda para enfrentar os ataques sobre os direitos da classe trabalhadora, a capitulação ao Judiciário por ocasião da prisão de Lula, a postura de autoproclamação se reivindicando como os “únicos” socialistas e revolucionários e também pelo fato de ter uma política fortalecer apenas o próprio partido mesmo em detrimento da construção do movimento de conjunto.

O que a esquerda faz nas eleições?

Independente da nossa vontade, as eleições atingem milhões de pessoas e se não participamos desse processo, fazendo as críticas ao projeto burguês, denunciando os problemas e mazelas sociais, a burguesia não terá adversários e fará só a sua propaganda de modo que os trabalhadores nem vão conhecer as propostas socialistas. Por isso, apesar de termos tantas críticas às eleições, participamos do processo eleitoral e nessas eleições votaremos criticamente nas candidaturas da esquerda socialista (PSTU, PSOL e PCB), para denunciar as falcatruas burguesas e de seus partidos.

Para a esquerda socialista revolucionária, as eleições é um momento de se apresentar à classe trabalhadora com suas propostas de ruptura com o capitalismo e de denunciar as eleições e essa democracia como farsas, pois os eleitos vão sempre governar para os seus patrões. Por isso devemos construir e apresentar um programa de poder da classe trabalhadora, que é contra os interesses da burguesia e que não pode ser realizado sob o capitalismo. Um programa para a revolução socialista!

A necessidade da revolução

Quando denunciamos o capitalismo, queremos demonstrar à classe trabalhadora que nesse sistema, necessariamente, só teremos fome, miséria, guerra, falta de perspectivas de melhoras e de futuro e tantos outros problemas sociais. É assim porque uma pequena parcela de pessoas fica com quase tudo produzido pela grande maioria.

Mais importante que denunciar o capitalismo, é apresentar uma alternativa: o comunismo, um sistema social oposto ao capitalismo, onde as necessidades da humanidade serão garantidas.

Sabemos que os ricos e patrões não abrirão mão de continuar com sua boa vida, conseguida a partir do que foi produzido com o sangue e o suor do nosso trabalho. A classe dominante fará de tudo (guerra, tortura, enganação etc) para as coisas continuarem exatamente como estão. Essa também é uma das razões de dizermos que as eleições nada resolvem, pois se um governo de esquerda fosse eleito sofreria todo tipo de boicote e sabotagem. Só uma revolução socialista pode de fato, mudar as coisas, destruindo o velho e construir um novo mundo.

Bases de um programa socialista

– Eleições não resolvem os problemas da classe trabalhadora. Só a luta muda a vida!

– Não pagar a dívida pública interna e a externa: aplicar esse dinheiro em serviços públicos para a população!

– Os bancos e banqueiros são incontroláveis: estatização do sistema financeiro, sob controle dos trabalhadores!

– Para garantir gás de cozinha, gasolina e diesel para a população pobre e trabalhadora: Petrobras 100% estatal, sob controle dos trabalhadores!

– Para acabar com o desemprego, reduzir a jornada de trabalho!

– Estabilidade no emprego!

– Para acabar com a fome no país: expropriação do latifúndio e reforma agrária, sob controle dos trabalhadores!

– Para todos terem casa: Reforma Urbana, desapropriação dos imóveis desocupados!