E o aumento do transporte se espalha pelo país


4 de Fevereiro de 2018

O aumento na tarifa do transporte público, já em 2018, se espalhou como mais um ataque da patronal contra a classe trabalhadora em várias cidades brasileiras: Em Maceió não foi diferente e não ocorreu por acaso, dado que o contrato de licitação das empresas de ônibus com a prefeitura prevê o aumento anual da tarifa.

Desconsiderando o percentual de aumento de de 3%, estabelecido pelo documento de licitação, o Sinturb (Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros de Maceió) pediu o aumento de 15% no início de janeiro, o que representa o aumento do valor atual de R$ 3,50 para R$ 4,02.

Pesa no bolso termos em Maceió uma das tarifas mais caras da região Nordeste – R$ 3,70 Salvador, R$ 3,20 Fortaleza, R$ 3,10 São Luís, R$ 3,55 João Pessoa, R$ 3,60 Teresina, R$ 3,35 Natal, R$ 3,50 Aracajú e R$ 4,40 (anel B).

O que, de fato, justifica esse aumento no valor da passagem de ônibus? Dentre outros motivos, os capitalistas alegam que o transporte complementar “sequestra os passageiros” dos ônibus. Na briga pelo monopólio da locomoção urbana, culpabilizam os taxistas, os motoristas de Uber (e de outros apps), mototaxistas, as vans e demais tipos de transporte complementar considerados clandestinos.

Mas, não é verdade que a responsabilidade pelo acréscimo da tarifa seja de tais trabalhadores. Também não é verdade que o projeto “Domingo é meia” (meia tarifa aos domingos) e a tarifa estudantil quebram o caixa das empresas. Trata-se de um argumento, ironicamente contraditório ao discurso da “livre concorrência”, conveniente ao único propósito de qualquer capitalista: a manutenção da taxa de lucro da empresa.

Além do mais, esses empresários dizem que o Estado não oferece nenhuma política de subsídio para aquisição do óleo diesel. As únicas intervenções estatais que reconhecem como necessária na sociedade são as que beneficiam a classe social a qual pertencem. Assim tem girado a engrenagem.

Viver está muito caro!

Mesmo quando não há aumento dos custos operacionais do sistema de transporte, o contrato dos capitalistas com o poder público permite o aumento periódico da passagem baseado apenas no índice da inflação. Para eles, pouco importa se o desmoralizado governo Temer promoveu o menor aumento no salário mínimo dos últimos anos (como já dissemos, o reajuste em 2018, de apenas R$ 17,00, é o menor em 24 anos).

De tal modo, é fácil ou não para o empresariado culpabilizar até os desempregados que para garantir um trocado no bolso, por exemplo, dão carona e cobram pela viagem? A situação está invertida ou não, segundo a lógica dos capitalistas?

O encarecimento da vida é notável no cotidiano do trabalhador. Em Maceió, o custo da cesta básica estava em R$ 349,40 (Dez, 2017), segundo recente levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos). Dessa forma, como nós, trabalhadores, poderemos pagar uma tarifa tão cara (R$ 7,00 numa viagem de ida e volta), fazer feira e ainda pagar impostos básicos como água, luz e gás?

As condições do transporte público nessa capital

Maceió não tem projeto de mobilidade urbana para toda a cidade. Os bairros da periferia sofrem com vias não pavimentadas e a falta de ciclovias contribui no aumento do número de mortes por atropelamento diariamente.

Há também o engarrafamento nas principais avenidas da cidade. Faltam pistas para a grande quantidade de veículos no tráfego e apesar da tarifa do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) custar R$ 0,50, as linhas não cobrem grande parte de Maceió. É preciso ainda citar a violência urbana a que estão sujeitos passageiros e funcionários dos transportes públicos.

Ademais, todo mundo sabe que os coletivos são superlotados. Não podemos aceitar que vivamos como sardinhas apertadas dentro dos ônibus. Aqueles que trabalham na região do centro e que fazem o trajeto de ida e volta para os bairros da periferia, espremem-se nos terminais rodoviários e dentro dos veículos.

Isto faz cair por terra a tese dos empresários de que está havendo uma diminuição de passageiros. Como está diminuindo se o povo até precisa sentar no chão do coletivo, enquanto muitos passam mal com falta de ar? Não devemos acreditar nas afirmações do sindicato dos patrões! Empresários e prefeito não passam por esse sufoco, não utilizam ônibus.

Precisamos construir fóruns permanentes pela mobilidade urbana!

Precisamos construir Comitês permanentes para organizarmos ações e manifestações que tenham como pauta a questão da mobilidade urbana. É necessário que o movimento contra o aumento da tarifa se fortaleça. Podemos exigir as planilhas de gastos e de faturamento das empresas para demonstrarmos o quanto somente querem lucrar, lutar para que o transporte seja realmente público e conquistar o impedimento do aumento da tarifa, rumo à tarifa zero e pelo passe livre irrestrito para jovens e desempregados.

A articulação de Comitês nos bairros pode ser uma boa maneira para nos unir, para pensarmos em ações de mobilizações. Precisamos nos juntar e nos articular com as lutas que estão ocorrendo nos outros estados e cidades, visto que o aumento das tarifas acontece sistematicamente todos os anos.