A riqueza no Brasil tem as mãos de sangue com a escravidão negra


13 de novembro de 2017

Iniciada no século XVI, a colonização do Brasil já é a parte do desenvolvimento do capitalismo inserida, no que Marx chama, na acumulação primitiva do capital.
A produção de mercadorias a serem comercializadas na Europa, os grandes negócios e altamente lucrativos com a escravidão de pessoas negras são parte fundamental do processo de acumulação de riqueza, ou seja, do desenvolvimento do capitalismo no Brasil e por tabela na Europa.
Neste contexto é que se pode compreender como se deu a introdução do trabalho escravo por terras brasileiras. Além de garantir produtos agrários em condições de atender o mercado europeu, o tráfico negreiro envolvia uma enorme quantidade de capital que só as grandes empresas tinham condições de participar. E, claro, pessoas muito ricas.
Pesquisas recentes dão conta que vieram cerca de 5,8 milhões de pessoas escravizadas para o Brasil, 60% de toda a população escrava das Américas. Outros milhares morreram nos porões dos navios negreiros. Foram mais de 9 mil viagens da África para as américas. Como se vê o tráfico negreiro era um negócio que envolvia muito dinheiro.
Esse capital foi fundamental para os investimentos na Europa, num primeiro momento para atividades comerciais e depois para o desenvolvimento da indústria na “fase madura” do capitalismo.
Como se vê, o desenvolvimento do capitalismo não é resultado de “homens de negócios brilhantes”, mas de uma exploração brutal e desumana.

A acumulação da riqueza no Brasil tem sua origem na escravidão

Durante mais de 3 séculos (ou seja, a maior parte da nossa história) ser rico no Brasil era sinônimo de ser dono de escravos. As pessoas escravizadas eram mercadorias como o açúcar, o tabaco ou o cavalo, vendidas, compradas ou trocadas, ou seja, uma “coisa”.
O trabalho escravo negro está na base da formação do Estado brasileiro e das primeiras gerações da burguesia do país.
E não se trata de algo muito distante na nossa história. As plantações de café, já no final do século XIX, um produto que enriqueceu muitas famílias – os chamados barões do café que habitavam os casarões da Avenida Paulista em São Paulo – concentravam a maioria das pessoas escravizadas no país.
E em torno da escravidão havia vários negócios como o tráfico, o parlamento fazendo as leis para proteger os donos de escravos, o judiciário e o aparato repressivo estatal para reprimir as rebeliões escravas, etc.
Como forma de justificar uma sociedade em que as pessoas eram mercadorias se construiu um conjunto de relações sociais e ideologias: o racismo foi acompanhado da imposição da ideia de que os africanos eram inferiores, a coisificação de negros e negras, a naturalização de estupros de negras realizados pelos donos de escravos, o preconceito, a satanização de danças e rituais africanos, etc. Ideias tão fortes que ainda fazem parte do nosso cotidiano.
Também deve ser destacado o papel da Igreja Católica. Como religião oficial era parte desse esquema e cumpria a função de legitimação com a cristianização forçada através do batismo, da proibição dos rituais e, como proprietária, da comercialização de escravos já que em vários conventos e ordens religiosas haviam pessoas escravizadas.
Queiram ou não essa é a história da formação do Brasil. A exploração que a classe trabalhadora brasileira ainda está submetida é um capítulo dessa história, em que negros e negras são obrigados a se submeterem aos empregos mais precarizados, aos salários mais baixos e enfrentarem a maior taxa de desempregados.
É, portanto uma riqueza com marca de sangue e de mortes de pessoas escravizadas. Não nos resta outro caminho que não seja o de superar o da exploração!