Uma história de lutas e de resistência


13 de novembro de 2017

Os livros de História, inclusive os que circulam nas escolas públicas, estão recheados de falsidades sobre a luta de negros e negras contra a escravidão, até mesmo de autores renomados em que, provavelmente, o mais famoso seja Gilberto Freire.
A teoria de Freire, de forma resumida, é a de que houve de forma consensual e harmônica uma miscigenação entre negros, índios e brancos. Segundo esse autor havia uma “doçura” nas relações entre escravo e seu dono.
Além de ser uma teoria que busca contribuir para perpetuar o racismo, traz um elemento de negação das lutas contra a escravidão, ou seja, de que o negro se acomodou à condição de escravo, daí predominando uma relação pacífica entre o escravizado e o senhor dos escravos.
Um monte de livros e textos foram escritos se apoiando nessa tese como o de João José Reis que chegou a afirmar que “parece que não lhe convinha trocar a escravidão pura pela escravidão assalariada”.
Outra falsidade comum na nossa história é retirar o papel de protagonismo dos escravizados. Tentam apresentar a história brasileira como a de homens ricos, intelectuais e brancos. Mesmo na luta pela abolição são os abolicionistas brancos (como Joaquim Nabuco) que aparecem nos livros de História. Luiz Gama, por exemplo, negro e destacado ativista é completamente desconhecido pela História oficial. Não é por acaso.
Joaquim Nabuco era deputado pela província de Pernambuco e defendia a abolição via parlamento, com indenização, radicalmente contra as rebeliões nas senzalas e agitações públicas.
Já Luiz Gama defendia que “o escravo que mata o senhor, seja em que circunstância for, mata sempre em legítima defesa”.

As várias formas de resistência

O fim da escravidão não foi obra da Princesa Isabel, isso já é sabido. Foi fruto da luta de mais de 350 anos.
Os negros e negras escravizados no Brasil (e em outras partes do mundo) resistiram a essa condição desde o momento da captura na África. Eram derrotados, mas resistiam. O poder de fogo das armas e as táticas de combate dos traficantes de pessoas escravizadas pesavam a seu favor.
Quando chegavam aqui as formas de resistência também se diversificavam. O cotidiano era de resistência. As fugas, matar senhores e feitores, a organização dos quilombos, as inúmeras rebeliões lideradas por escravizados, a participação ativa em rebeliões populares como a Cabanagem no Pará, eram radicalizadas.
Havia também várias outras formas mais amplas como resistir ao trabalho através da quebra de instrumentos, a automutilação, os infanticídios, a morosidade e outros atos contrários aos interesses dos seus donos.
Mas, sem dúvida, a melhor expressão e mais consistente forma de resistência eram os quilombos. Quando se aquilombavam não só se libertavam da condição de “coisa”, passavam a construir relações sociais de igualdade no trabalho, de apropriação coletiva daquilo que produziam e com a organização para manter de pé os quilombos tornavam-se sujeitos de sua história e podiam resgatar práticas de liberdade e até mesmo dos rituais proibidos.
Enfim, não havia uma pacificação ou acomodação dos escravizados em relação às relações escravocratas, o que havia era muita resistência!