O Brasil não pode mais ser qualificado como semi-colônia


31 de agosto de 2016

1bLuís César Nunes*

É um pouco estranho que o Brasil, a segunda maior economia no continente, superando até mesmo o inequívoco imperialista Canadá, seja tratado pelo conjunto da esquerda brasileira como uma semicolônia, país atrasado, subdesenvolvido ou em desenvolvimento, ao que se acrescentou nos últimos anos o epíteto de emergente.

A associação do Brasil com o imperialismo é tão grande que chega a ser risível quando se faz manifestações diante de consulados norte­americanos com os cartazes; Fora ianques. A globalização ampliou o papel do país na cena regional e internacional. Não só pelo MERCOSUL e a UNASUL, mas também pelo BRICS. A influência brasileira se faz notar nos países da América do Sul, pelos financiamentos do BNDES, pela presença de multinacionais sediadas no Brasil como Oderbrecht e Petrobrás.

Mas também se estende para a África, especialmente Angola (ASA) e países árabes (ASPA). Além disso, o Brasil é um país que possui forças armadas potentes e inúmeras empresas multinacionais. Há alguns anos Rui Maurini chamou a relação do Brasil na região de subimperialista. Gonzalez Casanova fala da relação de colonialismo interno em muitos países. Recentemente, D.Harvey denominou de novo imperialismo países como Índia e Brasil que por conta de seus extensos investimentos em países nos quais se aprofundou a aliança estratégica, acabam sendo intermediários do capital internacional.

A ação militar também é importante, o Brasil é hoje um grande exportador de armamentos, uma de suas indústrias mais dinâmicas, há indústria militar e desenvolvimento nuclear. Tudo isso seria suficiente para uma rediscussão do papel ocupado pelo país no cenário mundial. Não mais como mera semicolônia, mas como um novo tipo de imperialismo. A contradição do processo é que o novo presidente neoliberal eleito na Argentina é aliado do Mercosul e parece mais próximo dos interesses do empresariado brasileiro. Ao mesmo tempo pretende excluir a Venezuela. Afinal, o que é o Mercosul? Uma organização da unidade econômica sul­americana ou um baluarte do Subimperialismo brasileiro? Odebrecht, Vale/BHP, Petrobras, BTG Pactual, o capitalismo imperial domina o Estado com seus métodos mafiosos.

Mas o que foi pior foi a ação imperial brasileira em relação às nações indígenas com a cumplicidade de Evo Morales na Bolívia, por meio das obras do Iirsa, em estradas e barragens avançando por territórios indígenas. E também as empresas queridinhas do PT no Equador, que inclusive acabou por romper o acordo com a Odebecht e a Petrobras acabou por sair, deixando o país sob maior influência chinesa.(1)

O aparelho de Estado brasileiro nada mais é que um balcão de cassino legislando, julgando e gerenciando os lucros do tráfico de influências. Quem mais defendeu o líder da gangue no Senado foi o PSDB, isso prova que os partidos­eleitorais nada mais são que facções de interesses de classe para organizar a rapinagem. A frente popular (pacto entre lideranças sindicais­ epopulares com a alta burguesia já estava construída dentro do próprio PT, que já é um partido operário ­burguês pelo menos desde a primeira eleição que Lula perdeu para presidente, quando não queria ganhar), existia já dentro do partido e foi gradativamente sendo ampliada pelos acordos eleitorais. Banqueiros, agronegócio, empreiteiras, dilapidação de recursos naturais (solo, água, minérios, florestas), se juntaram todos os capitalistas e decidiram sacrificar o povo para ampliar lucros.

Bibliografia: 1) ZIBECHI Raúl. Brasil potencia. Entre la integración regional y un nuevo imperialismo. Bogotá: Ediciones desde abajo, 2012. ISBN: 978­958­8454­29­0

*é professor da rede estadual e municipal do Rio de Janeiro

 

Sobre as contribuições individuais de militantes do MOS ao debate com o Espaço Socialista

Na aproximação entre o Espaço Socialista e o Movimento de Organização Socialista, algumas discussões foram levantadas de forma individual por membros do nosso coletivo e não como posicionamento do grupo. Essas discussões estão pautadas ao longo desse processo.

Entendendo que uma das discussões centrais para aqueles que tem a estratégia da Revolução é o Estado Brasileiro, como destruí-lo, algumas contribuições foram feitas nesse sentido. A primeira é a do companheiro Luís César sobre que tipo de economia esse Estado responde. Na próxima edição, teremos um aporte resumido do trabalhador do Judiciário-RJ, Alex Brasil, sobre o Estado de Exceção brasileiro, travestido de democracia-burguesa e o modelo particular petista de Estado de Exceção. E, em seguida, os aportes de Luís César, dentro desse contexto, sobre o não apoio às greves de policiais e do trabalhador do Judiciário Fluminense Vílson Siqueira sobre o avanço da presença física do capitalismo brasileiro, sobre o retrocesso na consciência dos trabalhadores e a relação dialética entre esses fatores e a fragmentação da esquerda. Para finalizar, mais um texto de Luís César sobre o apoio às lutas do “precariado”, no setor público, os terceirizados.