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Um breve Balanço do Dia Internacional de Luta da Mulher/2013


30 de março de 2013

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Numa breve observação às manifestações ocorridas no mundo por ocasião do Dia Internacional de Luta da Mulher podemos fazer uma triste constatação: a mulher lutadora utiliza a maior parte do seu tempo em luta reivindicando questões básicas para a sobrevivência, ou seja, contra a violência que mata, mutila e humilha, por emprego, contra a fome, etc.

 No Brasil, de Norte a Sul não foi diferente. As mães de Altamira (Pará) contra a exploração sexual, as trabalhadoras campesinas (RS) por terra, as trabalhadoras sem teto por moradia (SP) e as mulheres da periferia em vários estados brasileiros por justiça.

 Não é difícil nos perguntar o porquê de não marcharmos todas juntas contra esse sistema de exploração, já que nos reserva situações como essas que nos sufocam e aumentam as desigualdades.

 Também não é difícil entendermos que com esse sistema que nos tornam desiguais e distantes de conquistas há governos, que para sustentá-lo, contribuem para essa situação permanecer. Com o governo Dilma do PT tem sido assim, nada diferente dos governos do PSDB.

O caminho trilhado por deputadas e senadoras é o de formação de Comissões Parlamentares que apenas investigam a não aplicação da Lei Maria da Penha, como se fosse difícil detectar a impunidade no país. Nos sindicatos – em que é parte de suas direções – busca-se travar as lutas de quem trabalha. Ou mesmo aprova-se o Acordo Coletivo Especial, em que o empresariado retira direitos importantíssimos dos trabalhadores em geral e das mulheres em particular. Em governos e prefeituras não se aplica o dinheiro público na construção de mais Delegacias da Mulher, Casas-Abrigo, postos de saúde, hospitais, escolas, creches, etc. a fim de atender as necessidades da população. Ou seja, tudo isso contribui visivelmente para não mudar, de fato, a nossa vida.

E os problemas não param por aí. Existe toda uma reorganização das igrejas, com a conivência do governo, para aprovar leis contra a decisão da mulher sobre o seu próprio corpo. Isso contribui para torná-la cada vez mais submissa e dominada através do controle do Estado sobre seu corpo e de sua vida. E também vai ao encontro dos movimentos “de direita” que sempre exigiram da mulher a submissão absoluta em todos os aspectos humanos.

Diante de toda essa situação, da necessidade de unidade entre as que lutam e do fortalecimento da luta para transformar a vida da mulher trabalhadora não podemos nos iludir e sustentarmos algum tipo de esperança nesse governo. Criar a confusão de que é possível fazer Dilma passar para o lado da mulher trabalhadora – sem enfrentamento ou sem que o conjunto dos trabalhadores esteja fortemente mobilizado – é a grande capitulação dos movimentos “de esquerda” ao governo, demonstrada nesse início de ano.

No 08 de março foi assim. A maioria das organizações e das centrais sindicais de esquerda não se dispuseram construir um Dia Internacional de Luta da Mulher contra o machismo, contra as várias formas de violência à mulher, antigovernista e anticapitalista e perderam mais uma oportunidade de construirmos no Brasil um Movimento de Mulheres unificado e de esquerda, capaz de impor sua pauta, em luta, para enfrentar todos esses problemas.

A direção majoritária da CSP-Conlutas (PSTU), desde o seu último Congresso, empurra a situação e fecha os olhos para o que ocorre no interior da central. Isto é, iniciativas em várias cidades e estados de atos paralelos construídos contra as políticas do governo, que são paliativas e não buscam resolver o problema da mulher trabalhadora. Insiste em construir pautas em conjunto com os movimentos governistas. Estes buscam ganhar tempo (enquanto o dinheiro público é liberado para empresas e bancos) já que somos todas sabedoras dos altos índices de violência contra a mulher, do desemprego, das péssimas condições de trabalho, do corte de direitos, etc.

Entendemos que essa política do PSTU na central não é diferente de sua política geral, de buscar a unidade com setores governistas. No entanto, não acreditamos nesse caminho. Desmascarar esse governo e sua política de fortalecimento do empresariado é o caminho para a unidade de quem luta e de quem precisa trabalhar para sobreviver.

Essa experiência de ato em favor da mulher trabalhadora e contra o governo também foi realizada em Santo André – Região do ABC/SP. Sindicato dos Professores (APEOESP – Subsede da cidade) em conjunto com Espaço Socialista e com convite estendido a todas as organizações, entidades e ativistas de esquerda da região do ABC construímos um ato unificado. Denunciamos à população todas as dificuldades enfrentadas pela mulher trabalhadora e a falta de investimentos do governo federal, do estadual e das prefeituras da região. Com o apoio popular foi fácil perceber o quanto não estávamos sozinhas.

As trabalhadoras que se utilizam dos serviços públicos sucateados, que arcam com o aumento dos alugueis, das passagens de ônibus, que recebem salário mínimo ou ainda mais baixos, que a cada dia perdem os direitos trabalhistas, que lutam por moradia, por creche, por escolas com qualidade para receber seus filhos juntaram-se ao ato.

Enquanto o partido do governo (PT) organizou carnaval na região para esconder os problemas enfrentados pela mulher trabalhadora, usamos a nossa voz para dizer que esse é o tipo de sociedade que não queremos (em que a parcela da sociedade que produz a riqueza é a mais penalizada e mal tem tempo de se divertir). Que a mulher trabalhadora precisa reagir contra esse sistema explorador de injustiças e sofrimentos. Que Dilma não nos representa! Que se tivéssemos emprego e salários dignos, moradia, Saúde e Educação de qualidade com bons atendimentos não precisaríamos de Bolsa Família! Que o governador Alckmin é nosso inimigo! Que as prefeituras da região não farão por nós! Que todos estão aí para nos atender e não o faz! Que precisamos tomar em nossas mãos o direcionamento da nossa vida, pois a nossa luta é justa!

E enquanto o PSTU (que compõe a maioria da direção da CSP-Conlutas) boicotou atos independentes e procurou construir atos com setores governistas e ligados ao governo – até indiscriminadamente, inclusive em categorias em que as políticas do PT são as mesmas do PSDB, como em Professores de São Paulo, como se apoiássemos o abandono do governo Dilma à Educação – várias organizações e entidades de esquerda, com atuação ativa, denunciaram o governo e exigiram políticas públicas.

Exigimos mais Delegacias da Mulher com funcionamento 24 horas e de fim de semana, punição real aos agressores, casas-abrigo para receber mulheres em condição de violência, creches, moradia digna, postos de saúde, escolas com vagas próximas de casa, merenda decente e em condição de trabalho e aprendizagem, etc. – para amenizar o sofrimento da mulher trabalhadora.

Saudamos em luta e contamos com o apoio das trabalhadoras em lojas e lanchonetes, garis, estudantes, professoras, moradoras da região e também com a participação de artistas (música lírica, Fanfarra Movimento Autônomo Livre, fotografia, etc.).

É disso que a classe trabalhadora precisa: da unidade com as organizações, centrais e entidades de esquerda antigovernistas e anticapitalistas (contra a opressão e o machismo) num movimento para fortalecer trabalhadoras e trabalhadores e disputarmos a sua consciência. Precisamos cumprir esse papel e a direção majoritária da CSP-Conlutas precisa ser responsabilizada por sua omissão quanto a esse papel. Precisamos desmascarar a mídia e o governo, que somente mostram parte da realidade e colocam os índices de popularidade lá encima. É possível fazermos eco e mostrarmos a real situação de quem trabalha e depende de salário para sobreviver. Assumamos o nosso papel se quisermos ser revolucionárias!

Espaço Socialista, março de 2013.