Chamado à construção de um Encontro de Trabalhadores/Trabalhadoras e Juventude no ABC


13 de novembro de 2018

Um chamado para organizações de esquerda que atuam no ABC: Organizemos um Encontro de Trabalhadores/Trabalhadoras de base e Juventude no ABC

A eleição de Bolsonaro e o crescimento da extrema-direita abrem um período de profundos ataques aos direitos históricos da classe trabalhadora: fim da previdência pública e entrega do sistema de aposentadoria dos trabalhadores para os banqueiros; fim do Ministério do Trabalho para abrir espaço e aprofundar a Reforma Trabalhista e a flexibilização de direitos (com Carteira de Trabalho verde e amarela); maior repressão aos movimentos sociais, etc.

Algumas medidas como a lei antiterror, a terceirização irrestrita, a Reforma Trabalhista e a Reforma do Ensino Médio já haviam sido aprovadas. Agora têm os ataques aos direitos democráticos, o fim da estabilidade no funcionalismo e a ampliação da lei antiterror, que visa criminalizar os movimentos sociais.

Estamos em um novo momento da luta de classes: a burguesia ao buscar sair da crise e aumentar seus lucros está tentando aplicar medidas mais duras com a retirada de direitos e tem jogado a conta da crise nas costas dos trabalhadores, da juventude e de parcelas marginalizadas da população.

A ausência de uma alternativa dos trabalhadores e explorados de conjunto que não aceite a conta dessa crise é outro problema na nossa realidade.

Nesse sentido, estamos presenciando o crescimento de movimentos de direita tanto no cenário nacional como em vários países do mundo. Isso também ajudou Bolsonaro vencer as eleições, apoiado nos votos contra o PT e favorecido pelas arbitrariedades do Judiciário.

Os setores mais reacionários e autoritários da sociedade saíram fortalecidos nesse processo e aproveitam essa situação para ampliar a campanha contra os movimentos de esquerda e contra o socialismo.

No próximo período teremos um governo abertamente de extrema-direita e autoritário, contra os movimentos sociais e de esquerda, que persegue a população LGBT, que defende chacina de pobres e juventude negra, que se apresenta contra a demarcação de terras indígenas, dentre outras medidas.

Ainda que insuficientes, têm ocorrido muita resistência. Em abril de 2017 a classe trabalhadora entrou em cena fazendo triunfar uma grande Greve Geral que culminou no adiamento do principal ataque da burguesia à época: a Reforma da Previdência do governo Temer. Além disso, houve a suspensão do Sampaprev em São Paulo devido à greve do funcionalismo. Recentemente ocorreram as grandes manifestações do #EleNão, encabeçadas pelas mulheres em todo o país, as lutas de professores, estudantes e funcionários em universidades como USP, UnB e Mackenzie.
As lutas poderiam ter ido mais longe. Contudo, as direções das principais Centrais Sindicais boicotaram o desenvolvimento e buscaram canalizar toda resistência às eleições burguesas.

Sabemos que mesmo agora não podemos confiar nessas direções. Por isso, é preciso fazer unidade, no entanto, construir um polo independente que não necessite aguardar as ações dessas direções que não medem as consequências do atual momento.

Para derrotar a extrema-direita e o projeto do capital, do qual Bolsonaro é apenas um dos representantes, precisamos construir uma forte mobilização da classe trabalhadora. Um passo importante para isso é a unidade da esquerda e dos trabalhadores através da construção de um Programa Comum como instrumento para enfrentarmos conjuntamente o governo, organizarmos e unificarmos as lutas.

Já há um tempo defendemos a realização de um Encontro Nacional da Classe Trabalhadora, construído desde os locais de trabalho, estudo e moradia precedido de Encontros de base, regionais e estaduais, que visem unificar trabalhadores com movimentos sociais para a construção de um plano de lutas para enfrentar governo e patrão. Entendermos que hoje esse Encontro está na ordem do dia.

Foto: Juca Martins.

É nesse sentido que desde o ABC Paulista – região onde ocorreram as grandes greves operárias que derrubaram a Ditadura Empresarial-Militar na década de 80 e a Ocupação da primeira escola estadual em 2015 – abrimos um diálogo e fazemos um chamado a todas as trabalhadoras e trabalhadores, ativistas independentes, entidades, organizações, partidos e movimentos sociais de esquerda da região para construirmos um Encontro de Trabalhadores e Juventude no ABC, de base, aberto e democrático que tenha como objetivo a construção de um Programa Comum para organizar as lutas e a resistência na região e fortalecer a classe trabalhadora de conjunto, demonstrar o quanto é necessário unificar para lutar e dar o exemplo de que também necessita e pode ser feito em todo país.

Espaço Socialista (Organização Marxista Revolucionária), 13 de novembro de 2018.