Contra a demissão de Priscila, dirigente do Sindicato de Bancários de Bauru e da Secretaria Executiva nacional da CSP-Conlutas.


24 de abril de 2016

12507663_544571679041125_8540068127139577085_nContra a demissão de Priscila, dirigente do Sindicato de Bancários de Bauru e da Secretaria Executiva nacional da CSP-Conlutas.

Pelo fim da ação do MNOB e em repúdio ao Banco Votorantim! Reintegração já!

A bancária Priscila Rodrigues, diretora atual do Sindicato dos Bancários de Bauru e região, e reeleita recentemente em janeiro deste ano, acaba de ser demitida pelo Banco Votorantim,  após uma ação inaceitável promovida pelo Movimento Nacional de Oposição Bancária, MNOB, corrente bancária dirigida pelo PSTU. Em Bauru, durante o último mandato do sindicato dos bancários, a diretoria se dividiu em duas chapas. A chapa de Priscila compondo da FNOB (Chapa 1) e a outra chapa compondo o MNOB (Chapa 2), mas ambas reivindicando a CSP-Conlutas, da qual Priscila é também dirigente da Secretaria Executiva Nacional da CSP/Conlutas. 

A disputa sindical ultrapassou todos os limites. Buscando vantagem no processo eleitoral pela via da destruição da outra alternativa, a chapa do MNOB pediu a impugnação da candidatura de Priscila junto à comissão eleitoral, não obtendo sucesso partiu para um processo de mesmo conteúdo, contra a trabalhadora, na justiça burguesa. O conteúdo das ações questionava a condição de Priscila como bancária na cidade de Bauru, alegando que o fechamento da sede física do Banco Votorantim na cidade consistia em um impedimento para Priscila disputar as eleições da diretoria do sindicato na cidade, por inexistência do banco no local. A ação é infundada, por diversos aspectos, sobretudo pelo fato do grupo Votorantim manter a atividade bancária e financiária na cidade por meio de home office do Banco Votorantim e da existência de escritórios e lojas da BV Financeira em Bauru.

É lamentável estarmos hoje enquanto movimento dos trabalhadores entrando nesse tipo de conjecturas. É igualmente lamentável termos que tratar na mesma nota de combater a patronal e as atitudes de um setor do próprio movimento dos trabalhadores, pois infelizmente, no caso em questão, não é possível dissociar os fatos que envolvem ambos os campos. Este tipo de questionamento, que tem como consequência colocar em dúvida a situação de uma trabalhadora em sua categoria deveria ser uma preocupação exclusivamente da patronal. Mas foi protagonizada pelo MNOB, um setor do próprio movimento dos trabalhadores.

Inevitavelmente, a ação prosseguiu e chegou ao ponto em que a juíza responsável determinou que, para sua decisão sobre cassar ou não o mandato de Priscila, o Banco Votorantim deveria se pronunciar. A ação do MNOB delegou portanto à Justiça burguesa e o banco Votorantim decidir sobre a direção do sindicato dos trabalhadores. O Banco Votorantim, não perdendo tempo, e aproveitando o caminho já traçado pelo MNOB de questionamento de Priscila como bancária, se pronunciou: Priscila foi demitida! 

Priscila é uma mulher trabalhadora, de um banco privado, setor hoje dentre os bancários que carece profundamente da organização para a luta contra a patronal, sofre com as desvantagens da falta de estabilidade com o avanço do capital para minar o movimento dos trabalhadores. Priscila escolheu o caminho da luta como alternativa. Repudiamos as ações movidas contra qualquer lutador e Priscila é conhecida nacionalmente por ser uma combativa lutadora no campo da luta desatrelado ao governo e aos patrões.

Priscila não é só diretora do SEEB Bauru, foi uma das principais dirigentes sindicais que esteve envolvida no processo que culminou no levante de assistentes e gerentes do Banco do Brasil, na última greve da categoria, paralisando quase 100% das agências do Banco do Brasil na cidade. O trabalho de base do SEEB Bauru virou exemplo nacional de combatividade. A base da categoria elege suas direções no cotidiano, mas a resposta também vem nas eleições e como reflexo disso, a Chapa 1, composta por Priscila, saiu vencedora da eleição, derrotando a Chapa 2, construída pelo MNOB. A base elegeu quem esteve ao seu lado nas lutas do dia a dia, nos piquetes da greve, quem agiu com democracia e apontou o caminho da luta como alternativa. 

Repudiamos a participação do PSTU neste processo de eliminação da companheira da categoria. O PSTU esteve presente na elaboração dos materiais da Chapa 2, na distribuição de panfletos pedindo a impugnação da candidatura de Priscila na CSP-Conlutas, além da conivência com todo este processo, pela presença de peso de seus dirigentes em cada dia da campanha e da eleição, sem nenhuma crítica pública.

Repudiamos o método de autoconstrução pela via da destruição das outras correntes ou ativistas praticado pelo MNOB com a anuência do PSTU. Esta atitude foi de extrema irresponsabilidade e é, portanto, indefensável. Exigimos do PSTU, como partido que reivindica o socialismo, que faça urgentemente a autocrítica com seriedade, encarando o problema de frente, sem evasivas. Exigimos também a retirada do processo na justiça e uma carta de retratação. Entendemos também que é obrigação dos companheiros do partido estejam na linha de frente da campanha pela reintegração de Priscila, jogando todos seu esforços na reversão da demissão.

Repudiamos a ação do Banco Votorantim de demissão da trabalhadora Priscila. Além de injusta por natureza, pois coloca uma trabalhadora e sua família nas ruas, tem o agravante de ser irregular, pois se trata de uma dirigente sindical, eleita por sua base e que goza portanto de estabilidade.

Implementaremos uma série de ações urgentes em defesa do emprego de Priscila e contra a perseguição e não recuaremos até sua reintegração. Exigimos a imediata retirada da ação contra a Priscila, por parte do MNOB. Defendemos o envolvimento de todos os setores do movimento em uma imediata campanha contra o Banco Votoratim, com as medidas judiciais cabíveis, além de moções e manifestações urgentes. A demissão de uma dirigente sindical e reconhecida lutadora é o mais grave ataque à liberdade sindical e aos direitos democráticos dos trabalhadores que já tivemos. Não podemos abrir o precedente para a patronal de termos uma dirigente demitida.

Em defesa da lutadora Priscila, em repúdio à demissão: reintegração já! Todos à campanha! Nenhum de nós ficará para trás!

Assinam esta moção: Jornal Retomada, construindo o Avante Bancários – Bancários de Base São Paulo – Rosana Rosa, cipeira do Bradesco Cidade de Deus –  Espaço Socialista e Movimento de Organização Socialista ES/MOS – Alternativa Sindical Socialista ASS – Intersindical, Instrumento de Organização e Luta da Classe Trabalhadora – Movimento Revolucionário Socialista MRS – Bancários de Base do Rio Grande do Sul – Movimento Avançando Sindical (MAS)