Quem Somos


25 de Abril de 2010

     O ESPAÇO SOCIALISTA é uma organização formada por trabalhadores para a intervenção na luta de classes, tendo como objetivo a construção do socialismo. Temos como referência a visão de mundo marxista, a qual consideramos como um patrimônio teórico e um método vivo para a análise da realidade do ponto de vista do proletariado em sua luta pela emancipação. Dentro dessa referência marxista, o Espaço Socialista desenvolveu um “Perfil Programático” que expõe de modo detalhado nossas contribuições para a construção de um programa socialista. O presente texto parte desse Perfil e apresenta as principais propostas da organização.

    A incontrolabilidade do capital. Partimos do fato de que o capitalismo não pode ser controlado, nem atenuado ou “humanizado”, pois sua lógica intrínseca transforma os seres humanos, de sujeitos que são, em meros objetos do processo de acumulação ampliada do valor. A lógica da acumulação prevalece inclusive sobre a própria sobrevivência da humanidade, que está ameaçada pela miséria crescente, por fome, doenças, violência, degradação ambiental, guerras, etc. Não há alternativa para a humanidade a não ser destruir o capitalismo, antes que seja destruída por ele, e construir um modo de produção socialista voltado para o atendimento das necessidades humanas e para a realização dos potenciais criativos da ciência, da tecnologia, da cultura, da arte, da subjetividade, da sexualidade.

    A crise estrutural do capital. O capitalismo atravessa um momento de sua história que caracterizamos como sua crise estrutural. O sistema se vê obrigado, por sua própria lógica competitiva e anárquica, a criar o desemprego tecnológico estrutural, expulsando do sistema produtivo o único elemento gerador de valor, a força de trabalho. A diminuição do número de trabalhadores empregados faz com que haja um número menor de pessoas para consumir uma quantidade maior de produtos. Essa superprodução de mercadorias é a causa principal das crises periódicas que marcam a economia capitalista desde o início de sua história.
    A crise estrutural, que acompanha o capitalismo aproximadamente desde o início da década de 1970, corresponde ao momento histórico em que as formas tradicionais de deslocar as contradições (armamentismo, consumismo, luxo, etc.) perdem sua eficácia e as crises econômicas se repetem mesmo com a ampliação da produção destrutiva. Os gestores do sistema tentam inutilmente combater os sintomas da crise estrutural, com políticas que só fazem aprofundar os problemas, como as “reformas” neoliberais (privatizações, corte de direitos dos trabalhadores, etc). Essas políticas não fazem mais do que agravar a crise, aumentando a miséria e tornando ainda mais urgente o enfrentamento e a resistência. É preciso construir, a partir das lutas defensivas, uma ofensiva que questione a própria lógica do sistema.

    O Brasil na crise. No Brasil, o governo Lula tem sido um aplicador comprometido das políticas neoliberais, prosseguindo com as privatizações, as reformas, o pagamento dos juros da dívida pública fraudulenta, etc.; e maquiando a realidade com os programas de bolsa-auxílio.
    Por isso, o Espaço Socialista apóia e participa de todas as iniciativas de reorganização da esquerda para a luta contra o governo e a burguesia, seja através do movimento sindical (Conlutas), do movimento estudantil, e de todas as formas de enfrentamento contra a barbárie capitalista, defendendo sempre a necessidade da unidade de todas as forças da esquerda e da disputa ideológica para elevar a consciência dos trabalhadores.

    A crise de alternativas socialistas.     Um dos maiores obstáculos para o enfrentamento do capitalismo, no Brasil e no mundo, é a ausência de um projeto alternativo de sociedade próprio da classe trabalhadora. Muitos indivíduos percebem isoladamente os problemas do capitalismo, a necessidade de resistir e de lutar, mas esses impulsos atomizados de revolta não se aglutinam e não convergem para um movimento que tenha reais condições de se opor contra a ordem estabelecida, pelo simples fato de não estarem armados de uma concepção socialista como alternativa global. Em outras palavras, falta a consciência socialista como visão de mundo incorporada por um setor significativo da classe trabalhadora.
    A ausência dessa consciência é o que denominamos de “crise de alternativas socialistas”. Este conceito procura ir além da idéia de “crise de direção”, comum na tradição trotskista, que define o problema como a simples ausência de um partido revolucionário para dirigir as massas. Para nós a própria formação de organizações revolucionárias com condições de intervir na realidade só é possível a partir da existência de uma vanguarda de trabalhadores educados em idéias e práticas socialistas. A existência de uma consciência socialista de massas é um pré-requisito para que a emancipação dos trabalhadores seja realizada pelos próprios trabalhadores, como preconizou Marx.
    
    Relação entre as organizações e o movimento.    A educação dos trabalhadores em idéias e práticas socialistas deve ocorrer nos organismos de luta da classe (sindicatos, grêmios estudantis, associações, movimentos reivindicativos, etc.), dos quais os indivíduos se aproximam em busca de solução para seus problemas imediatos (salário, educação, moradia, etc.). É papel da esquerda organizada fazer com que esses indivíduos percebam que a superação de seus problemas, desde os imediatos até os mais gerais, só será possível por meio da superação da atual sociedade capitalista, através de um modo de produção socialista.
    Para que esse trabalho de elevação da consciência e fortalecimento da organização da classe se desenvolva, é preciso retomar os métodos da democracia operária no interior dos organismos de luta. É preciso combater o aparatismo, o hegemonismo, a burocratização e outros vícios da esquerda que afastam a base e atrasam o movimento. Os organismos da classe devem funcionar como frente única, espaços em que possam atuar militantes de todas as organizações, ou independentes, com respeito a todas as concepções, e onde possa construir-se democraticamente a síntese das propostas.

    Combate à burocratização. Um dos vícios mais nefastos da esquerda é a burocratização, a transformação de ex-militantes em parasitas que sobrevivem à custa da classe, imobilizam os organismos de luta e se tornam colaboradores da burguesia.
    A burocratização dos organismos de luta precisa ser combatida não apenas moralmente, pela simples censura a dirigentes degenerados, mas politicamente, por meio de medidas como: a) proibição da reeleição indefinida dos dirigentes;  b) renovação de pelo menos metade dos órgãos de direção a cada eleição; c)tomada de decisões nos fóruns de base, como as assembléias; d)garantia do direito de que as posições divergentes sejam apresentadas; e) a remuneração dos dirigentes não pode ser maior que a da média dos trabalhadores; f) transparência na administração dos recursos financeiros da entidade;
    
    Aperfeiçoar a formação dos militantes. A sociedade burguesa funciona com base numa separação entre os que mandam e os que obedecem, os que fazem o trabalho intelectual e os que fazem trabalho braçal, entre teoria e prática. Essa forma hierárquica de estruturação precisa ser combatida nas organizações de esquerda e nos organismos de luta da classe, desenvolvendo-se um esforço para educar os militantes desde a base e torná-los também aptos a decidir politicamente.
    É preciso oferecer uma formação teórica sólida para os militantes, de modo que se tornem capazes de analisar a realidade por conta própria e intervir de modo produtivo, seja nos debates internos da organização, seja na disputa ideológica externa contra a burguesia pela consciência dos demais trabalhadores. O descuido com a formação teórica dos militantes teve e continua tendo conseqüências trágicas, como por exemplo, a confiança que gerações de trabalhadores e ativistas depositaram em “salvadores da pátria” como Lula.

    Construindo uma organização revolucionária. Estamos conscientes das dificuldades, sabemos que nossa influência ainda é pequena, não nos proclamamos os donos da “verdade absoluta” ou da “ortodoxia marxista”; entretanto, temos a confiança de que as nossas idéias e propostas encontram ressonância entre os ativistas, de que há no Brasil (e no mundo) numerosos indivíduos e organizações que adotam os mesmos métodos e concepções, e de que a luta de classes produzirá a inevitável e necessária convergência entre os revolucionários num movimento mais amplo e mais forte do que todos nós separadamente. Temos essa confiança porque acreditamos acima de tudo na classe trabalhadora e na luta socialista como única via possível para a emancipação humana.
    É por isso que fazemos este chamado a todos os ativistas e indivíduos que simpatizam com estas propostas para que nos acompanhem nessa luta.
    Venha construir uma sociedade socialista!
    Venha construir o Espaço Socialista!